UMA LEPRA CHAMADA ORGULHO

II Reis 5, 10 – 12

10 – Então Eliseu lhe mandou um mensageiro, dizendo: Vai, e lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será curada e ficarás purificado.

11 – Porém, Naamã muito se indignou, e se foi, dizendo: Eis que eu dizia comigo: Certamente ele sairá, por-se-á em pé, invocará o nome do SENHOR seu Deus, e passará a sua mão sobre o lugar, e restaurará o leproso.

12 – Não são porventura Abana e Farpar, rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Não me poderia eu lavar neles, e ficar purificado? E voltou-se, e se foi com indignação.

 

Como vimos na última edição, o general Naamã, o sírio, estava infectado pela lepra. Lentamente, sua carne estava sendo devorada, constrangendo-o diante de todos, apesar de suas inúmeras conquistas militares.

Por baixo de sua farda exuberante, este pobre homem escondia uma doença fatal: a lepra.

Incentivado por uma criada que servia em sua casa, e que conhecia o poder de Deus que operava através do profeta Eliseu, Naamã partiu com sua comitiva, levando uma fortuna em ouro, prata e roupas finas. Sua intenção, na verdade, era pagar por um possível milagre, caso este acontecesse.

Toda atenção de Naamã, estava voltada para doença em sua carne. Certamente, este homem ferido já havia procurado todas as maneiras possíveis para ser curado, e nada, aparentemente, havia acontecido. Nenhum alívio sequer. A doença avançava como seu exército nas batalhas.

Sua carne pulsava dia e noite. As pessoas continuavam mantendo distância, com medo de contraírem a mesma doença fatal. Por causa disso, mesmo sendo bem-sucedido nas batalhas e nas conquistas, era um homem solitário. Os mais próximos mantinham certa distância.

Quando, enfim, ele chega à casa do profeta, com sua numerosa comitiva, sua expectativa apontava para outro tipo de lepra. Um tipo de lepra comum a todos os homens, e tão dura quanto: o orgulho.

Segundo suas próprias palavras, ele esperava uma recepção de gala. Em seu íntimo, ele já havia planejado o curso de sua cura, e os detalhes de como tudo deveria acontecer. É como se ele estivesse sugerindo para Deus, como o próprio Deus deveria agir em seu caso. Era o barro tentando ensinar ao oleiro como manuseá-lo. Ou, ainda, um filho em sua explosão de rebeldia, tentando saber mais sobre a vida, do que seus pais já calejados por inúmeras experiências.

Naamã, atolado em seu poço profundo e barrento, que denunciava a lepra do orgulho, imaginou que o profeta do Senhor o trataria como um semideus. Na verdade, mesmo em grande necessidade e sendo devorado por algo terrível, ainda assim, queria um tratamento vip. A essa altura, sua dureza gritava bem alto.

É impressionante, como que a lepra do orgulho tem vitimado pessoas de todos os credos e de todas as camadas sociais. No caso da lepra da carne, que devorava lentamente o nobre general, esta era visível, ainda que ele tentasse escondê-la por debaixo de suas condecorações. Porém, a lepra do orgulho, em geral, fica trancafiada nos porões escuros e malcheirosos de nossas almas, fazendo-nos apodrecer por dentro, levando pessoas a não cederem diante do óbvio, gerando prejuízos incalculáveis, por seu caráter rígido e inflexível, e que sustenta uma dureza de coração, que não se justifica, a não ser por causa do próprio orgulho. Esta era a pior lepra, e que lentamente arruinava a vida deste grande conquistador.

A direção profética para o general foi: “Vai, e lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será curada e ficarás purificado”. Parecia ser algo simples de se fazer. O Deus que a Bíblia nos revela, é um Deus que ama as coisas simples! Ele é apaixonado por pessoas simples! Bastava Naamã mergulhar no Rio Jordão sete vezes, e ele ficaria livre de uma doença fatal. Porém, o barco de Naamã , assim como aconteceu com o famoso e fracassado Titanic, chocou-se violentamente com um iceberg tipicamente humano: a pedra gelada e pontiaguda do orgulho.

O Rio Jordão era sujo. Suas águas eram barrentas, e nada convidativas para um mergulho. Imagine então, como essa direção caiu na cabeça do orgulhoso general?

Um dos lados bons desse nobre conquistador é o fato de ele ouvir as pessoas, apesar de seu orgulho estar inflamado. Assim como foi no caso da criada que servia em sua casa, agora, e da mesma forma, seus servos o incentivaram a obedecer ao profeta do Senhor, e foi o que ele sabiamente fez.

Bastaram sete mergulhos nas águas barrentas do Jordão, e sua pele ficou sã como a pele de uma criança. Agora, a alegria seria plena. Suas medalhas brilhariam mais. E uma importante lição seria aprendida: obedecer será sempre melhor.

O orgulho é inimigo voraz da obediência. Ele sempre será derrotado quando cedemos e obedecemos.

Se refletirmos com cuidado sobre nossas histórias, descobriremos que teríamos evitado muitos transtornos para nós mesmos, se tivéssemos cedido para a obediência, ao invés de alimentarmos o monstro  feioso do orgulho, precipitando o barco de nossas vidas contra esse tipo de iceberg.

 



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