ÉDEN

E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, do lado oriental; e pôs ali o homem que tinha formado”. (Gênesis 2:8)

O dia amanheceu ensolarado despertando a vida no jardim de Deus. Seria mais um dia onde o Criador se encontraria com o seu amigo homem ao pôr do sol, como sempre o fazia.

O verde, que é a cor que descansa o olhar, tingia os quatro cantos daquela floresta de delícias.

Os inúmeros tipos de flores e hortaliças se destacavam contrastando com o verde e o colorido dos belos pássaros. Tudo estava muito bem e a vida exalava harmonia como a fragrância de um bom perfume.

Uma leve brisa que vinha do leste do jardim dissipava o calor úmido que subia do solo quente.

A cantoria alegre e diversificada dos pequenos cantores de penas coloridas abrilhantava aquele santuário natural chamado Éden.

Havia abundancia de alimentos e tudo de que o homem precisava estava ao seu alcance. O único fruto que Deus advertiu ao homem para que não o comesse, era o fruto de uma árvore que Deus batizou de: árvore do conhecimento do bem e do mal.

No início da tarde, a curiosidade do gênero humano falou mais forte em seu apelo. E, de repente, o amigo de Deus estava diante da porta da morte observando o belo fruto proibido.

O céu escureceu de uma vez. Os pássaros cantores emudeceram. O vento cessou. Enquanto isso, a natureza de uma só vez prendeu a respiração em clima de absoluta tensão. O silencio incomodava.

O dia virou noite e uma densa neblina tomou conta do jardim de Deus. Até mesmo o aroma do jardim mudou. Era o hálito da morte que fora liberado do abismo. Algo muito sério estava acontecendo…

O homem levou a mão teimosa à maçaneta da porta mortal, enquanto olhava para os lados. Ele a girou com cuidado. Em seguida, empurrou a porta lentamente e, imediatamente, uma escuridão incomum o engoliu. O medo invadiu todos os compartimentos de sua alma. Sua pele ficou arrepiada e seu coração disparou. Mesmo assim, determinado a levar seu plano suicida adiante, e, louco para experimentar um pouquinho o outro lado, ele dá um passo sem nada enxergar. O que o pobre homem em seu estado deprimente de independência burra não sabia, é que diante dele havia uma escada inclinada para baixo, que o jogaria em uma prisão eterna. E assim foi enquanto saboreava um pedaço do fruto doce com final amargoso.

Uma seta disparada da escuridão o atravessou em seu coração. Uma corrente lhe apegou ao pescoço e o apertou até fazer estufar suas principais artérias.

Em seus pensamentos um sussurro maquiavélico pôde ser ouvido. Era uma voz horripilante e fria que dizia com ódio descomunal ao amigo de Deus: “Agora você me pertence”.

Os esfolados e os hematomas da queda, se transformariam em cicatrizes que lembrariam as escolhas erradas da vida. E o gosto amargo da desobediência estaria apegado ao paladar humano para sempre.

A natureza enfim solta o ar que havia prendido. Parecia o último suspiro de quem está agonizando. Era como se uma indagação ecoasse do jardim dizendo: “Como o amigo de Deus pôde fazer isso?”

Lá na sala do trono bem acima de tudo, de onde o Eterno governa todas as coisas, o clima de tensão e tristeza afetou a todos. Ninguém queria falar. O desapontamento era grande demais…

Um plano de resgate elaborado pelo próprio Pai celestial precisaria ser colocado em ação. Porém, o Filho perfeito estava pensativo e apreensivo. E quando o Pai o encarava nos olhos, seu coração se derretia, pois, o plano tinha a ver com o filho perfeito. Ele teria que morrer.

O grande Espírito se colocou à inteira disposição para ajudar no plano de resgate do amigo de Deus. Da mesma forma o fez, todo o exército celestial que serve diante do trono do Altíssimo.

O amigo de Deus estava mortalmente ferido e temporariamente separado de seu Criador.

O tapete da grama mais verde que forrava o chão do jardim, agora estava salpicado do sangue culpado humano.

O homem conseguiu se tornar seu maior pesadelo. Isso aconteceu quando ele decidiu abrir a única porta de que Deus lhe havia falado para que nunca abrisse.

Aquele final de tarde não seria como os outros. Dessa vez, Deus desceria de seu trono para ver de perto o estrago causado por uma decisão independente.

É incrível o que uma escolha errada e inconsequente pode causar. Como podem ser desastrosas as consequências de um ato em busca de um prazer momentâneo.

O grande Criador chama por Adão, mas dessa vez ele não responde. Deus insiste e descobre que o homem, àquela altura, não passava de um bicho ferido e assustado. Além disso, o medo de Deus o levou para um atalho chamado esconderijo. É um tipo de cárcere onde muitos nessa vida estão prisioneiros.

Seu semblante era a expressão de um derrotado que perdera seu próprio brilho.

As trevas que invadiram o homem não suportavam a luz que emanava dos olhos do Criador.

No centro da terra nas camadas inferiores, uma festa estava sendo celebrada entre os anjos caídos. Todos eles se curvavam diante do pai da mentira. Afinal, ele estava lá em meio às trevas quando elas engoliram e penetraram o coração do amigo de Deus.

O cheiro de enxofre que exalava vindo das profundezas da terra atingiu a superfície.

O pai da mentira se levantou em seu trono de morte e declarou guerra contra tudo o que era bom, justo, honesto e verdadeiro. “Ataquem (dizia ele), tudo o que puder ferir o Eterno!”

Em seu pescoço havia algo pendurado. Era a chave de acesso ao coração humano que ele arrancara das mãos do amigo de Deus.

O grande Criador precisou admitir que o inimigo conseguiu separar seu amigo e isolá-lo da glória eterna. Veja: “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus”. (Isaías 59:2a)

Agora era preciso trabalhar no plano de resgate. Não dava para passar a eternidade lamentando a queda humana. Era hora de o amor superior falar mais forte e subjugar os feitos do inimigo. E, também, era hora da graça imerecida superabundar nos mares das fragilidades humanas.

Por muito tempo o grande Criador manteve um relacionamento com os homens. Porém, algo muito forte e impactante precisaria acontecer para que o que havia se perdido, fosse recuperado e salvo.

Foi quando o Pai chamou o Filho perfeito para uma conversa íntima. Nessa conversa, o Pai dizia que o homem que ele havia criado segundo a sua imagem e semelhança, era muito importante para ele e, portanto, precisaria ser resgatado.

Na conversa o Pai anunciou ao Filho perfeito que o plano era que ele deixasse a glória do Pai e fosse para a terra, onde seria sacrificado na cruz. Ele seria humilhado, ultrajado, envergonhado, rejeitado, agredido, abandonado e por fim, a pior morte. Só assim as trevas perderiam suas forças.

O filho abaixa a cabeça e seus olhos ficam inundados com lágrimas. O Pai o abraça forte e diz que a morte na cruz, seria como aquele abraço, porém, em todos os homens que o inimigo aprisionou.

O Filho, com a voz embasbacada, responde que aceita o desafio e que se submeteria plenamente à vontade do Pai.

O Pai também disse ao Filho perfeito que ao terceiro dia ele o traria de volta à vida. A morte seria vencida, os inimigos derrotados e o amigo de Deus, nunca mais estaria separado de seu amor.

O amor superior desfilaria na passarela da vitória recuperando a chave que fora perdida. Depois da morte e ressurreição, ela pertenceria ao Filho perfeito para todo o sempre.

Ele está batendo à sua porta. Se você abri-la, ele entrará e construirá dentro de você um novo Éden.



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