A PONTE

A PONTE

Existe uma ponte em nossa cidade, que em nada se parece com as avançadas e bem elaboradas pontes dos cartões postais.

Lembro-me, neste momento, de nossa famosa ponte Rio-Niterói, com seus 13,29km, dos quais 8,83km são sobre as águas da estonteante Baía de Guanabara. Atualmente, é considerada a maior ponte em concreto protegido do Hemisfério Sul, e a sexta maior ponte do mundo. Quando foi construída, era a segunda maior obra do gênero no planeta, perdendo somente para  Causeway do lago Pontchartrainnos, Estados Unidos.

O que dizer então da belíssima ponte Charles Bridge, localizada em Praga? Seu estilo gótico e suas esculturas exalam a história e contam a cultura sobre o Rio VItava.

Muito distante dessa atmosfera cultural e requintada, que se eleva sobre as águas, está nossa solitária e deprimente ponte. Ela não possui esculturas. Não tem iluminação especial, e o rio barrento que dança embaixo de seu concreto frio não é nem um pouco atraente ao olhar.

No entanto, ela abriga os filhos e as filhas que foram vencidos pelas drogas. Filhos que se tornaram reféns da falta de esperança e da indiferença de muitos. Gente que, por fim, foi abandonada pela família, já que não podia vencer o monstro impiedoso que a engoliu.

Muitos passam sobre essa pontezinha agitados pelas suas próprias preocupações. Outras que trafegam bem ao seu lado, mas que não enxergam os “invisíveis” prisioneiros dos entorpecentes letais.

O frio mora bem lá embaixo da pequenina ponte. A fome também já deixou ali sua marca cruel nos corpos esqueléticos. Mas a pior de todas as feridas e que pulsa dia e noite sem parar, é a ferida da indiferença, que por sua vez, repousa no leito do conformismo.

Nada tem sido tão ameaçador na vida de nossos filhos do que a dependência química. Muitos lares já foram infectados por esse veneno viciante e aterrorizante.

Neste exato momento, muitos são os pais que choram e lamentam por seus filhos dependentes de uma pedrinha, ou do pó alucinador.

Penso que muito mais do que pontes de concreto e de fino acabamento, nossas cidades precisam construir as pontes do amor incondicional. Essa ponte é linda e está localizada exatamente sobre o rio de sangue, que fora derramado por Jesus Cristo lá na cruz do calvário.

Se existe um tratamento eficaz para essa geração zumbi e refém desse carrasco arrogante, ele começa com o amor que não exige nada em troca. E neste caso, refiro-me ao amor de Deus.

Deus me contemplou com um filho na fé muito precioso, e que hoje é um dos principais operários na construção desse tipo de ponte em nossa cidade. Seu nome é Eduardo. Não é por acaso que seu nome significa: Próspero Guardião.

Todas as segundas-feiras, lá vai ele até à ponte dos horrores. Ali ele estende suas mãos e seu coração para aqueles filhos e filhas da humilhação. Ele os reúne e os conduz até a ponte do amor incondicional. O resultado é um choro de dor e um clamor por ajuda que ecoa daquela ponte.

Entre tantas bênçãos que fazem parte da arquitetura dessa nobre ponte, podemos encontrar uma porta de esperança. Ela está aberta para todos quantos queiram passar por ela.

Quando você enxergar uma ponte diante de seus olhos, lembre-se de que existem pontes que abrigam o lado sombrio de uma sociedade. No entanto, lembre-se, também, de que existe a ponte do amor incondicional, e que, embaixo dela, está nosso maior tesouro tingido de vermelho carmesim.

 



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